Mais um blogue.
Aberto.
Livre.
Sobre o que é ser uma profissional da acedemia, em Portugal. Uma mãe. Uma mulher que entrou nos 40 anos.

Capítulo 1.
Nunca quis ser professora universitária. Mas sou.
Tento ser da melhor maneira que sei. Tento cumprir todas as exigências da minha profissão, sem fugir a prazos, a responsabilidades e colocando sempre a ética e o coleguismo em primeiro lugar.

Adoro falar. Falo de mais. É a falar que consigo sentir e pensar. Pode ser defeito, mas pode ser virtude. É melhor ser a última, que a primeira é uma chatice.

Ralho com os meus filhos mais do que desejo. Mas há dias em que não consigo evitar. São segundos de raiva. Mas sei pedir desculpa. Erros, todos os dias. Paciência.

Tento ser uma académica de sucesso, mas acho que o sucesso que procuro não é o mesmo defendido na cultura profissional e que estou inserida. Temos várias dimensões na vida. Onde quero ter sucesso é como mãe e mulher. A profissão, basta-me ser vista como uma gaja porreira, que trabalha quando é preciso. Não quero chegar a topo nenhum.

Detesto estar sentada ao computador. Gosto de me mexer e criar coisas. Nada compatível com a minha profissão.

Nunca foi uma opção, foi uma oportunidade da qual não me queixo e faço tudo para preservar. Mas não me faz feliz. Paciência. Trabalho para viver, e não vivo para trabalhar.

Tenho de escrever artigos, mas apetece-me dedicar-me às aulas e aos meus alunos. Não posso. Desfaço-me nisto e naquilo e não me faço em nada. 

 


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